Análise da ABIMAQ sobre corte de 0,25 p.p. com SELIC a 6,75% ao ano.
COPOM – Taxa Básica de Juros - SELIC - fevereiro de 18

O Comitê de Política Econômica (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira – SELIC – pela décima primeira vez consecutiva. O corte de 0,25 ponto percentual levou a SELIC para seu menor valor histórico, a 6,75% ao ano. A decisão de uma nova redução do ritmo de corte do Copom já era esperada pelo mercado, após a sequência de corte cair de 0,75 p.p. para 0,5 p.p. em dezembro de 2017. Para as próximas reuniões, o Copom sinalizou que não deve continuar o ciclo de redução da taxa básica, a menos que existam elementos relevantes na economia.

A ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – entende que existem muitos elementos relevantes para a continuidade da redução da taxa básica de juros nas próximas reuniões. Com a inflação de 2017 em 2,95%, a taxa real de juros está atualmente em 3,7% ao ano. Relatório do MoneYou indica o Brasil como detentor da 5ª maior taxa de juros real ex-ante nos próximos 12 meses dentre 40 países cuja taxa real de juros média é de 0%.

Mas, além disso, outros e mais importantes motivos para a continuidade da redução da taxa de juros já fazem parte do cenário básico. A taxa de desemprego no país continua elevada, 11,8% no último trimestre de 2017, equivalente a mais de 12 milhões de pessoas. Pela primeira vez, o número de empregados informais ultrapassou o montante de empregados com carteira assinada. O nível de capacidade utilizada da indústria ainda se encontra distante do patamar que se encontrava no biênio 2013-14 e como consequência a taxa de investimento despencou para 16% do PIB. As contas públicas ainda não foram reajustadas conforme o prometido e em 2017 o país pagou o equivalente a 6,1% do PIB em juros e as receitas continuam abaixo do nível das despesas, mantendo o déficit do governo em torno dos 2% do PIB.

A ABIMAQ acredita que a solução para todos esses problemas passa, obrigatoriamente, pelo retorno dos investimentos e do consequente crescimento econômico e isso exige que medidas de estímulo sejam adotadas pelo governo. Dentre as medidas urgentes, a queda da SELIC deve ser repassada mais rapidamente às taxas de juros de mercado para o tomador final. De acordo com dados do próprio BACEN, o spread médio das operações de crédito ficou em 13,6% a.a e a taxa de juros para pessoa jurídica foi de 21,5% a.a., ambos com recursos livres.

Portanto, além da continuidade de redução da SELIC, esta tem de ser acompanhada por mudanças que sejam capazes de melhorar as condições de financiamento das atividades econômicas, com reduções do spread bancário e da taxa de juros ao tomador final, pois apenas a plena retomada e a sustentação do crescimento econômico serão capazes de resolver os graves problemas que o país vem enfrentando.

Departamento de Competitividade, Economia e Estatística | deee@abimaq.org.br

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